quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Em busca do primeiro capítulo

Começar um livro não é tarefa fácil, nem para mim e acredito que para ninguém. O tema já foi definido, as idéias estão na cabeça. Agora só falta organizar. Estilo, pontuação, personagens, tudo é um desafio. A palavra certa a todo momento, esse é o objetivo.

Um bom livro tem que ter histórias, e digo mais, boas histórias. Ainda bem que o curso é de jornalismo e não de literatura. Complicado contar a causo não vivido, a realidade nunca sentida. Hoje o dia foi de procura, no buscador o pedido era por uma banda atrás de um músico, ou de um músico atrás de uma banda. A tecnologia ajudou, e o dedo de prosa fechou o compromisso de um encontro.

O lugar escolhido foi o dele, um símbolo da terra do Tio Sam cravado no meio da cidade. O horário foi cumprido, as 19h30 (ou um pouco mais) avistamos o garoto de cabelos, que ainda ensaiam ser, compridos e, a camisa preta mostrava que o rock and roll era o estilo de música que dominava seu mp3.

Em meio a lanches, crianças, a conversa começou. No início meio sem jeito, sem saber o que e como perguntar, ele sem saber o que responder. Mas o tempo é aliado do saber, em todos os gêneros e graus. Ele contava com a esperança juvenil e a seriedade dos filósofos, que tanto gosta, como a música faz parte dos seus dias. As aulas de piano, de guitarra e canto embalam os sonhos (acho que ele não gostaria que colocasse assim) de um dia viver do lado artístico da vida. E como já disse, ele é sério e sabe que o dinheiro não cai do céu. Alias é isso, e acho que algo mais, que prendem os pés vestidos de All Star verde nesta cidade.

Nomes de banda, revelações engraçadas, frases de impacto: "Eu procuro mais uma banda que uma namorada". Assim foi a primeira entrevista do primeiro livro da minha vida. O material é bom, o garoto (futuro jornalista como eu) tem idéias boas e virtudes que promete levar para vida. Mas no decorrer da conversa faltava alguma emoção. Ele, mesmo sabendo que tem qualidades, abandonava aos planos a sorte do acaso. Mas entonação das palavras mudou quando o convite foi feito, “vocês querem ouvir uma gravação que eu fiz?".

Convite aceito e som ligado, a expressão do garoto mudou. Ele me pareceu até mais bonito. As palavras ganharam vida, os olhos ganharam brilho, e as frases ganharam graça. Acho que o menino nasceu para a música, agora falta saber se a música nasceu para ele.

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