quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O perigo da cerveja 1˙ Parte - Ao lado dos vilões



No último sábado a entrevista para nosso livro começou com um passeio pelas ladeiras da cidade vizinha. Depois de explicações detalhadas chegamos ao destino, passo a passo entramos na toca dos vilões. A garagem dos ensaios abriga o carro, a moto, as guitarras, os amplificadores e muitos, mas muitos, cabos. Garotos com a barba por fazer e com instrumentos para afinar, e no meio de tantos um rosto de traços bem desenhados ganha destaque, entre eles uma voz feminina. 

Antes da entrevista começar nos acomodamos, observamos e começamos a sentir o clima daquela conversa. Enquanto afinávamos a caneta e a máquina fotográfica, eles ajeitavam cabos e o volume do ensaio. A ordem escolhida foi: primeiro conversa, depois ensaia. Certo! Então vamos lá. 

Essa entrevista teve vários pontos que precisam ser destacados, foi nossa primeira entrevista no local de ensaio de uma banda, foi a primeira com um grupo tão grande (eram 6 no total), foi a primeira que não tivemos tanta atenção assim. 

As perguntas, como sempre, começaram sem jeito, acho que esse processo é natural. Primeiro se estuda o terreno. 

O sotaque não nega que a banda é do interior, um falar rápido, sem muitas explicações, uma conversa paralela, outras coisas rolavam enquanto conversamos com eles. Nem todos queriam falar, nem todos tinham o que contar.

Histórias de como tudo começou, sonhos, realidades, mercado musical, planos para o futuro, experiências que o tempo trouxe, influencias. E mesmo que tudo viesse de fontes novas, as frases pareciam conhecidas. Tivemos que reconhecer que erramos nas perguntas, e demos o azar dos entrevistados gostarem mais de música, do que de falar. 

A cerveja chega, ela trouxe um pouco mais de risos para a conversa, um pouco menos de seriedade para a cabeça. Mas o clima continuou o mesmo, uma banda e duas jornalistas. Nada de mais, nada de menos. 

Foi assim o nosso primeiro encontro com os vilões, acho que não estávamos em um dia muito bom. A semana foi corrida, a cabeça vinha a mil e não era há pouco tempo. O próximo encontro oficial é para ver a banda em ação, em cima do palco as coisas mudam. Alias esses meninos e meninas se transformam quando fazem aquilo que amam.

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