Escrever requer dedicação e alguma inspiração. Posso não registrar as entrevistas com a periodicidade com que elas acontecem, mas irei coloca-lás na ordem. Dando sequência as histórias que irão compor meu primeiro livro, vou contar como foi encontrar o músico mais sensato até agora. Acho que o que trouxe esse tom para conversa foi a experiência que o rapaz tem. Dentro os amadores, ele é quase um profissional.
O ambiente da conversa é um ponto de encontro comum de muitos dos personagens que compõe a cena musical da terra rasgada. Eu, pessoalmente, não sei os que atrai para o bar de paredes escuras e araras espalhadas na decoração. Será a tradição, a anti-simpátia da garçonete ou os nomes exóticos do cardápio?
Em uma mesa, da qual se podia ver muito do bar, esperávamos o entrevistado da noite chegar. Pensávamos em como tratar os assuntos com ele, em como pediríamos desculpas pelo furo que demos no que seria nosso primeiro encontro. Para descansar do dia cheio, e aguardar o entrevistado pedimos uma cerveja. Dois copos, novas idéias, eis que Jairo chega. O garoto, que tem um sorriso acolhedor, tem cara dos novos ídolos do rock in roll. Os cabelos são bagunçados na medida, as roupas são discretas, mas essa é a moda.
A conversa começa fácil, uma pergunta basta para o assunto embalar. Tenho que salientar que entrevistados bons de prosa são uma maravilha, sempre redem histórias inesperadas. O ex-guitarrista, atual estudante de finanças, fala de como foi começar a tocar nos bares da cidades, sobre suas bandas. Suas palavras são marcadas pelo vocabulário bem trabalhado durante a vida, o curso de filosofia, deixado para trás, trouxe o mundo das idéias e as bandas trouxeram a visão crítica sobre o mercado musical.
O garoto já abriu show para banda gringa, já tocou para pequenas multidões, já se deslumbrou com a fama (dentro das proporções que uma banda independente pode ter), e já viu uma banda se acabar sem muitos porquês. Ele falou sobre tempo, ensaios, dedicação, sobre outras bandas. Não eram críticas, eram idéias moldadas pela realidade.
A conversa foi regada por mais cervejas que as jornalistas deviam beber, no fim da noite as discussões percorriam caminhos que vão além da música. Pontos de vista foram mostrados, discutidos e questionados. Assim são as conversas de mesa de bar. Podem parecer informais demais, mas assim sempre aparece uma história nova.

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