sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Os perigos da cerveja 2˙ Parte - Uma boa conversa de bar

Escrever requer dedicação e alguma inspiração. Posso não registrar as entrevistas com a periodicidade com que elas acontecem, mas irei coloca-lás na ordem. Dando sequência as histórias que irão compor meu primeiro livro, vou contar como foi encontrar o músico mais sensato até agora. Acho que o que trouxe esse tom para conversa foi a experiência que o rapaz tem. Dentro os amadores, ele é quase um profissional.

O ambiente da conversa é um ponto de encontro comum de muitos dos personagens que compõe a cena musical da terra rasgada. Eu, pessoalmente, não sei os que atrai para o bar de paredes escuras e araras espalhadas na decoração. Será a tradição, a anti-simpátia da garçonete ou os nomes exóticos do cardápio? 

Em uma mesa, da qual se podia ver muito do bar, esperávamos o entrevistado da noite chegar. Pensávamos em como tratar os assuntos com ele, em como pediríamos desculpas pelo furo que demos no que seria nosso primeiro encontro. Para descansar do dia cheio, e aguardar o entrevistado pedimos uma cerveja. Dois copos, novas idéias, eis que Jairo chega. O garoto, que tem um sorriso acolhedor, tem cara dos novos ídolos do rock in roll. Os cabelos são bagunçados na medida, as roupas são discretas, mas essa é a moda.

A conversa começa fácil, uma pergunta basta para o assunto embalar. Tenho que salientar que entrevistados bons de prosa são uma maravilha, sempre redem histórias inesperadas. O ex-guitarrista, atual estudante de finanças, fala de como foi começar a tocar nos bares da cidades, sobre suas bandas. Suas palavras são marcadas pelo vocabulário bem trabalhado durante a vida, o curso de filosofia, deixado para trás, trouxe o mundo das idéias e as bandas trouxeram a visão crítica sobre o mercado musical.

O garoto já abriu show para banda gringa, já tocou para pequenas multidões, já se deslumbrou com a fama (dentro das proporções que uma banda independente pode ter), e já viu uma banda se acabar sem muitos porquês. Ele falou sobre tempo, ensaios, dedicação, sobre outras bandas. Não eram críticas, eram idéias moldadas pela realidade. 
 
A conversa foi regada por mais cervejas que as jornalistas deviam beber, no fim da noite as discussões percorriam caminhos que vão além da música. Pontos de vista foram mostrados, discutidos e questionados. Assim são as conversas de mesa de bar. Podem parecer informais demais, mas assim sempre aparece uma história nova. 

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O perigo da cerveja 1˙ Parte - Ao lado dos vilões



No último sábado a entrevista para nosso livro começou com um passeio pelas ladeiras da cidade vizinha. Depois de explicações detalhadas chegamos ao destino, passo a passo entramos na toca dos vilões. A garagem dos ensaios abriga o carro, a moto, as guitarras, os amplificadores e muitos, mas muitos, cabos. Garotos com a barba por fazer e com instrumentos para afinar, e no meio de tantos um rosto de traços bem desenhados ganha destaque, entre eles uma voz feminina. 

Antes da entrevista começar nos acomodamos, observamos e começamos a sentir o clima daquela conversa. Enquanto afinávamos a caneta e a máquina fotográfica, eles ajeitavam cabos e o volume do ensaio. A ordem escolhida foi: primeiro conversa, depois ensaia. Certo! Então vamos lá. 

Essa entrevista teve vários pontos que precisam ser destacados, foi nossa primeira entrevista no local de ensaio de uma banda, foi a primeira com um grupo tão grande (eram 6 no total), foi a primeira que não tivemos tanta atenção assim. 

As perguntas, como sempre, começaram sem jeito, acho que esse processo é natural. Primeiro se estuda o terreno. 

O sotaque não nega que a banda é do interior, um falar rápido, sem muitas explicações, uma conversa paralela, outras coisas rolavam enquanto conversamos com eles. Nem todos queriam falar, nem todos tinham o que contar.

Histórias de como tudo começou, sonhos, realidades, mercado musical, planos para o futuro, experiências que o tempo trouxe, influencias. E mesmo que tudo viesse de fontes novas, as frases pareciam conhecidas. Tivemos que reconhecer que erramos nas perguntas, e demos o azar dos entrevistados gostarem mais de música, do que de falar. 

A cerveja chega, ela trouxe um pouco mais de risos para a conversa, um pouco menos de seriedade para a cabeça. Mas o clima continuou o mesmo, uma banda e duas jornalistas. Nada de mais, nada de menos. 

Foi assim o nosso primeiro encontro com os vilões, acho que não estávamos em um dia muito bom. A semana foi corrida, a cabeça vinha a mil e não era há pouco tempo. O próximo encontro oficial é para ver a banda em ação, em cima do palco as coisas mudam. Alias esses meninos e meninas se transformam quando fazem aquilo que amam.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Um plano para o sucesso

Para escrever o livro é preciso escutar, escutar, escutar e escutar. 

Uma característica que percebi (isso ainda pode mudar, mas eu torço para que não) é que as entrevistas começam sem jeito e quando menos se percebe virou uma conversa de novos amigos, que tem muitas coisas para contar.

A entrevista dessa terça-feira (um dia pra lá de especial) terminou assim, descontraída, com os cinzeiros cheios, copos vazios e com boas histórias, mesmo que absurdas. Os personagens da vez são três meninos que passeiam pelos 20 anos. Não citarei o nome de cada um, mais do que nomes eles são o The Name. Para eles sonho é sinônimo de realidade (mesmo que essa não seja imediata). Com a certeza da escolha certa eles demonstram a cada palavra que a música é necessidade, e que não medem esforços para o sucesso (não importa para quantos, ou para quem).

Os passos para esse livro estão só no começo, e por uma escolha certa, as bandas com que falamos também. Acho quase impossível evitar comparações, o personagem anterior via o sucesso como algo distante, os garotos de hoje o vêem como o amanhã. 

As palavras às vezes soam como de marketeiros e não músicos, mas essa impressão dura pouco. O riso fácil contagia, não só os músicos e as jornalistas... Mas as fãs, uma a namorada e a outra, a amiga coruja.

The Name de Sorocaba para o mundo... A frase soa como clichê de programa de domingo, mas não há como duvidar que isso um dia se torne realidade. Fotos, músicas, design, produção, e-mails e mais e-mails, uma banda pode (e deve) ser formada por elementos além dos instrumentos e das caixas de som. No começo é assim você divulga, você produz, você sobe no palco e faz o melhor!

Trabalho, trabalho, trabalho, trabalho... É esse caminho que a banda dos garotos de cabelos compridos, ou quase, traça! Você pode pensar com esse texto que a banda quer sucesso a qualquer custo, mas não é bem isso, alias não é nada disso. Dois irmãos mais um amigo, ou um amigo de dois irmãos. A banda mostra uma sintonia nas palavras, nos risos, nos objetivos. O caminho para palcos é regado com intimidade que o só o tempo traz, ali não há receios, há certezas. Elas contagiaram as palavras desta jornalista, que hoje escreve com a ponta dos dedos e nada além (o corpo e a alma já foram descansar).